Sempre me preocupei com o fato de que a produção de energia por fonte eólica é intensiva usuária de baterias.
Acontece que baterias são poluentes e caras. Utilizam metais pesados e o seu descarte também é caro.
As baterias são utilizadas para garantir o fornecimento de energia quando a produção pelas turbinas eólicas não são capazes de atender a demanda. Energia elétrica não se estoca, tendo que ser produzida na hora do consumo; e não é a produção que determina o consumo, mas ao contrário é o consumo que determina a produção.
Os apagões são justamente a incapacidade de se produzir energia elétrica na demanda da hora. O sistema entra em colapso.
A energia acumulada, na forma química, nas baterias, seriam justamente para suprir esta diferença na hora.
Mas já disse que as baterias são caras.
Quem conhece um sistema se suprimento de energia para emergência, sem tempo de retardo na resposta, sabe que é composto por sistema de baterias para resposta imediata e de um gerador, de qualquer natureza, que tem tempo de resposta mais lento, mas que é capaz de fornecer energia por maior tempo, com melhores condições de custo, tanto de implantação como de operação.
Acontece com as baterias que, mesmo não sendo acionadas para fornecer energia, fiquem apenas acumulando, têm vida útil determinada e têm que ser repostas em intervalos regulares; e são caras, mais caras que o diesel utilizado em condições normais de utilização. Portanto, não se montam sistemas de acumulação de baterias para longo tempo de fornecimento de energia, monta-se para atender apenas o momento inicial, que permita, por exemplo, que os computadores não sejam desligados enquanto se liga o sistema secundário; ou para evitar o colapso do sistema elétrico.
E o descarte das baterias, mesmo que se faça o resgate das substâncias que as compõe, gerará sempre resíduos.
Por este motivo, sempre desconsiderei a hipótese de gerar energia elétrica diretamente por via eólica.
Esta semana, em uma conversa com especialista em energia, aprendi uma coisa fantástica: a Alemanha está substituindo as usinas nucleares por eólica. Bom, dirão os ecologistas e os que não gostam de energia nuclear.
O problema é justamente a falta de estabilidade no fornecimento de energia por fonte eólica. Lembrem-se que o é o consumo que determina a produção e não o contrário e a produção tem ser just in time, isto é um conceito novo em muitas indústrias, mas antigo na indústria de eletricidade. A energia tem que ser produzida na hora em que há demanda, sem falhas, sob pena de queda de todo o sistema.
A Alemanha está resolvendo o problema da instabilidade montando ao lado das turbinas eólicas usinas termo-elétricas a carvão.
Usinas que tem que ser mantidas semi-operacionais o tempo todo. Usinas termo-elétricas demoram para sair de semi-operacional para operacional, e uma vida inteira de desligada para operacional.
Então, a título de produzir energia reciclável e limpa, gasta-se combustível não renovável, e apenas para se permitir a rápida ligação da usina para o sistema, e combustível poluente também.
É em hora como esta, que desconfio da minha inteligência.
Há muito eu achava que a energia produzida por fontes eólicas deveria apenas armazenar energia na forma de hidrogênio; com isto evitaria o uso intensivo de baterias. Agora vejo como estava certo, alias muito mais que certo.
Na minha falta de capacidade, entendo que a energia produzida por turbinas eólicas devem produzir hidrogênio, acumulando energia nesta forma, que seria então utilizado para acionar turbinas que gerem cavalo-vapor e não empuxo.
Gerando cavalo-vapor, esta força pode ser utilizada para produzir energia elétrica de forma mais confiável com ativação até mais rápida que a usina térmica, com menos impacto ecológico e, possivelmente, com menor custo de implantação.
O custo da turbina alimentada por hidrogênio possivelmente seria menor que as turbinas de avião. Há de se considerar materiais capazes de responder a corosão provocada pela água gerada na produção, entretanto não seria necessário a utilização de metais e outros materais mais nobres, pois o peso não seria um requisito importante no projeto. Até a capacidade das pás da turbina resistir a impactos poderia ser dispensada, pois há como protegê-la antes do impacto; diferentemente das turbinas para avião.
Para os que podem vir a reclamar do barulho que seria gerado na operação das turbinas, coloque-as em um cano de escape com abafador de ruidos. Atenção, eu não disse para colocar um cano de escape com abafador na turbina; eu disse ao contrário: coloque-se a turbina em um cano de escape com abafador de ruídos.
Pode parecer difícil, mas não é. É só desenvolver um projeto de instalação que seja capaz de abafar o ruído e até, talvez, recuperar a água que produz.
A produção e acumulação de hidrogênio seria realizada vinte e quatro horas por dia. O hidrogênio para ser utilizado na produção de energia elétrica para o sistema estaria acumulado, portanto o seu uso pode ser administrado; não fica dependendo da capacidade de produção de hidrogênio de momento.
Parece-me que o óbvio nem sempre é claro.
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