quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Troco um porta-aviões por navio de desembarque

Meu pai costumava dizer: "só há duas maneiras de se aprender: 1) apanhando ou 2) vendo os outros apanhar; o problema é quando não se aprende de nenhuma forma".

Muitos me reclamam que sou muito complicado; dizem que tem-se que olhar só para a frente e que esta minha mania de olhar para trás só atrapalha. 

Eu acho que devemos olhar para trás e para os lados, sempre que precisamos decidir qual caminho a seguir. Para trás para aprendermos com nossos próprios erros e para os lados para aprender com os erros dos outros.

Durante a Segunda Guerra Mundial, nem japoneses nem americanos deixaram de desembarcar tropas e suprimentos por conta de coisas de menor monta, como a falta de porto ou aeroporto; e os americanos fizeram isto em dois oceanos.

Não consigo entender a utilidade de um porta-aviões no Haiti, nem sequer está controlando o tráfego aéreo local, mas consigo entender a necessidade de navios de desembarque no pais.

Entendo que o porto e o aeroporto estão operando em condições precárias, parece até que o porto nem isto. Entendo perfeitamente a necessidade de controle maior para a segurança das aeronaves, o que deve diminuir muito o fluxo de aeronaves.

Não entendo porque ainda não se montou um sistema de distribuição a partir da Jamaica e/ou República Dominicana.

Seus portos e aeroportos devem estar em condições de atender a um aumento de tráfego, que traria os suprimentos e equipamentos necessários para atender ao Haiti neste momento. Colocando a carga desembarcada nestes paises em caminhões, estes podem ser embarcados nos navios de desembarque de tropas e levados até a costa do Haiti, já próximo dos locais onde a carga seja mais necessária.

Na primeira viagem destes navios, já deixariam nas praias equipamento de engenharia para permitir o acesso dos veículos, lembremo-nos que haverão caminhões civis transportando as cargas, assim como tropas para garantir a cabeça de ponte e também para escolta. Afinal a instabilidade do pais no momento não nos permite imaginar que um ponto onde ocorrerá desembarque de alimentos e insumos de forma regular não venha a ser alvo de ataques de ladrões.

Faz apenas sete meses que relembramos os sessenta anos do maior desembarque anfíbio da história e ninguém se lembrou de aproveitar o aprendizado para atender ao Haiti? Muito antes de se poder utilizar os portos Mulberries, foram os navios de desembarque de veículos que permitiram a permanência nas praias até a construção dos portos.

O Brasil tem um barco deste e parece-me que esteve em operação no Haiti, os Estados Unidos deve ter muitos, a Inglaterra alguns, o brasileiro foi comprado lá, e creio que outros paises devem ter também.

Fosse vivo o meu pai, com certeza teria algo a dizer.

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