quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Não esqueça seu passado! Mas não viva nele!!!!

Ontem, ouvindo a mensagem das 18:00 hs. no rádio, ouvi um padre falar para esquecer o seu passado, para não viver nele.

Concordo que não devemos viver no passado, mas não podemos esquecê-lo.

Alias, vivemos o nosso passado, e futuro, neste exato momento. É difícil de entender?

Vivemos o nosso passado neste exato momento, pois nos encontramos neste exato local por conta das decisões que tomamos em nosso passado; desde antes de começar a tomar consciência das coisas, cada decisão tomada nos trouxe a este exato momento e local.

Vivemos o nosso futuro neste exato momento, pois as decisões que tomarmos neste momento afetam diretamente o nosso futuro, assim como afetaram as decisões tomadas no passado o nosso presente e afetarão o nosso futuro.

Luiz Gonzaga fala da idéia de lembrar do passado de forma boa e má em uma composição, diz que quem lembra do passado, bons e maus momentos, apenas por lembrar é feliz sem saber,mas se é como ele, pelo menos na música, que não consegue se desligar de um amor do passado é infeliz.

No blog anterior, falo que desconfio de todas as decisões que tomei hoje e que amanhã se tiver que tomar decisão em situação similar, pode acontecer que faça tudo diferente de hoje. Não que eu venha a me esquecer do que fiz hoje; mas a situação de amanhã poderá me fazer tomar uma decisão diferente.

Hoje posso ter seguido à esquerda, por achar que naquele momento para o local para onde me dirijo, este é o melhor caminho, mesmo mais longo, é menos disputado e fica mais rápido. Pode ser que amanhã decida seguir à direita, por não precisar economizar tempo, então posso economizar combustível, ou porque, pelas minhas experiências passadas, no horário em que estou me deslocando, o caminho da esquerda é mais rápido ou o da direita é mais lento.

Vejam, para fazer a mesma coisa, tomo decisão diferente, não porque me esqueci do passado; mas por registrá-lo e procurar utilizá-lo da melhor forma possível.

Não esqueço meu passado, mas não fico vivendo nele.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Troco um porta-aviões por navio de desembarque

Meu pai costumava dizer: "só há duas maneiras de se aprender: 1) apanhando ou 2) vendo os outros apanhar; o problema é quando não se aprende de nenhuma forma".

Muitos me reclamam que sou muito complicado; dizem que tem-se que olhar só para a frente e que esta minha mania de olhar para trás só atrapalha. 

Eu acho que devemos olhar para trás e para os lados, sempre que precisamos decidir qual caminho a seguir. Para trás para aprendermos com nossos próprios erros e para os lados para aprender com os erros dos outros.

Durante a Segunda Guerra Mundial, nem japoneses nem americanos deixaram de desembarcar tropas e suprimentos por conta de coisas de menor monta, como a falta de porto ou aeroporto; e os americanos fizeram isto em dois oceanos.

Não consigo entender a utilidade de um porta-aviões no Haiti, nem sequer está controlando o tráfego aéreo local, mas consigo entender a necessidade de navios de desembarque no pais.

Entendo que o porto e o aeroporto estão operando em condições precárias, parece até que o porto nem isto. Entendo perfeitamente a necessidade de controle maior para a segurança das aeronaves, o que deve diminuir muito o fluxo de aeronaves.

Não entendo porque ainda não se montou um sistema de distribuição a partir da Jamaica e/ou República Dominicana.

Seus portos e aeroportos devem estar em condições de atender a um aumento de tráfego, que traria os suprimentos e equipamentos necessários para atender ao Haiti neste momento. Colocando a carga desembarcada nestes paises em caminhões, estes podem ser embarcados nos navios de desembarque de tropas e levados até a costa do Haiti, já próximo dos locais onde a carga seja mais necessária.

Na primeira viagem destes navios, já deixariam nas praias equipamento de engenharia para permitir o acesso dos veículos, lembremo-nos que haverão caminhões civis transportando as cargas, assim como tropas para garantir a cabeça de ponte e também para escolta. Afinal a instabilidade do pais no momento não nos permite imaginar que um ponto onde ocorrerá desembarque de alimentos e insumos de forma regular não venha a ser alvo de ataques de ladrões.

Faz apenas sete meses que relembramos os sessenta anos do maior desembarque anfíbio da história e ninguém se lembrou de aproveitar o aprendizado para atender ao Haiti? Muito antes de se poder utilizar os portos Mulberries, foram os navios de desembarque de veículos que permitiram a permanência nas praias até a construção dos portos.

O Brasil tem um barco deste e parece-me que esteve em operação no Haiti, os Estados Unidos deve ter muitos, a Inglaterra alguns, o brasileiro foi comprado lá, e creio que outros paises devem ter também.

Fosse vivo o meu pai, com certeza teria algo a dizer.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Sujeira das Energias (ditas) Limpas

Sempre me preocupei com o fato de que a produção de energia por fonte eólica é intensiva usuária de baterias.

Acontece que baterias são poluentes e caras. Utilizam metais pesados e o seu descarte também é caro.

As baterias são utilizadas para garantir o fornecimento de energia quando a produção pelas turbinas eólicas não são capazes de atender a demanda. Energia elétrica não se estoca, tendo que ser produzida na hora do consumo; e não é a produção que determina o consumo, mas ao contrário é o consumo que determina a produção.

Os apagões são justamente a incapacidade de se produzir energia elétrica na demanda da hora. O sistema entra em colapso.

A energia acumulada, na forma química, nas baterias, seriam justamente para suprir esta diferença na hora.

Mas já disse que as baterias são caras.

Quem conhece um sistema se suprimento de energia para emergência, sem tempo de retardo na resposta, sabe que é composto por sistema de baterias para resposta imediata e de um gerador, de qualquer natureza, que tem tempo de resposta mais lento, mas que é capaz de fornecer energia por maior tempo, com melhores condições de custo, tanto de implantação como de operação.

Acontece com as baterias que, mesmo não sendo acionadas para fornecer energia, fiquem apenas acumulando, têm vida útil determinada e têm que ser repostas em intervalos regulares; e são caras, mais caras que o diesel utilizado em condições normais de utilização. Portanto, não se montam sistemas de acumulação de baterias para longo tempo de fornecimento de energia, monta-se para atender apenas o momento inicial, que permita, por exemplo, que os computadores não sejam desligados enquanto se liga o sistema secundário; ou para evitar o colapso do sistema elétrico.

E o descarte das baterias, mesmo que se faça o resgate das substâncias que as compõe, gerará sempre resíduos.

Por este motivo, sempre desconsiderei a hipótese de gerar energia elétrica diretamente por via eólica.

Esta semana, em uma conversa com especialista em energia, aprendi uma coisa fantástica: a Alemanha está substituindo as usinas nucleares por eólica. Bom, dirão os ecologistas e os que não gostam de energia nuclear.

O problema é justamente a falta de estabilidade no fornecimento de energia por fonte eólica. Lembrem-se que o é o consumo que determina a produção e não o contrário e a produção tem ser just in time, isto é um conceito novo em muitas indústrias, mas antigo na indústria de eletricidade. A energia tem que ser produzida na hora em que há demanda, sem falhas, sob pena de queda de todo o sistema.

A Alemanha está resolvendo o problema da instabilidade montando ao lado das turbinas eólicas usinas termo-elétricas a carvão.

Usinas que tem que ser mantidas semi-operacionais o tempo todo. Usinas termo-elétricas demoram para sair de semi-operacional para operacional, e uma vida inteira de desligada para operacional.

Então, a título de produzir energia reciclável e limpa, gasta-se combustível não renovável, e apenas para se permitir a rápida ligação da usina para o sistema, e combustível poluente também.

É em hora como esta, que desconfio da minha inteligência.

Há muito eu achava que a energia produzida por fontes eólicas deveria apenas armazenar energia na forma de hidrogênio; com isto evitaria o uso intensivo de baterias. Agora vejo como estava certo, alias muito mais que certo.

Na minha falta de capacidade, entendo que a energia produzida por turbinas eólicas devem produzir hidrogênio, acumulando energia nesta forma, que seria então utilizado para acionar turbinas que gerem cavalo-vapor e não empuxo.

Gerando cavalo-vapor, esta força pode ser utilizada para produzir energia elétrica de forma mais confiável  com ativação até mais rápida que a usina térmica, com menos impacto ecológico e, possivelmente, com menor custo de implantação.

O custo da turbina alimentada por hidrogênio possivelmente seria menor que as turbinas de avião. Há de se considerar materiais capazes de responder a corosão provocada pela água gerada na produção, entretanto não seria necessário a utilização de metais e outros materais mais nobres, pois o peso não seria um requisito importante no projeto. Até a capacidade das pás da turbina resistir a impactos poderia ser dispensada, pois há como protegê-la antes do impacto; diferentemente das turbinas para avião.

Para os que podem vir a reclamar do barulho que seria gerado na operação das turbinas, coloque-as em um cano de escape com abafador de ruidos. Atenção, eu não disse para colocar um cano de escape com abafador na turbina; eu disse ao contrário: coloque-se a turbina em um cano de escape com abafador de ruídos.

Pode parecer difícil, mas não é. É só desenvolver um projeto de instalação que seja capaz de abafar o ruído e até, talvez, recuperar a água que produz.

A produção e acumulação de hidrogênio seria realizada vinte e quatro horas por dia. O hidrogênio para ser utilizado na produção de energia elétrica para o sistema estaria acumulado, portanto o seu uso pode ser administrado; não fica dependendo da capacidade de produção de hidrogênio de momento.

Parece-me que o óbvio nem sempre é claro.